Motorista de app se recusa a levar homem cego com cão-guia em SC para 'não soltar pelo'; VÍDEO
Motorista de aplicativo recusa cego com cão-guia em Florianópolis Um homem cego filmou o momento em que um motorista de aplicativo se recusou a levá-lo ao ve...
Motorista de aplicativo recusa cego com cão-guia em Florianópolis Um homem cego filmou o momento em que um motorista de aplicativo se recusou a levá-lo ao ver que estava acompanhado de um cão-guia em Florianópolis. A situação ocorreu na última semana e expõe um problema que tem enfrentado com recorrência - e um desconhecimento da lei federal por parte dos motoristas. "Aí solta pelo e depois não consigo mais continuar", disse o condutor (assista acima). Desde 2005, a lei número 11.126/2005 determina que a pessoa com deficiência visual acompanhada de cão-guia tem direito de entrar com o animal em qualquer tipo de transporte e em estabelecimentos abertos ao público. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Segundo a vítima, Samuel da Luz Estufe, o caso foi na semana passada. O motorista, ao ver que precisaria levar também o cão-guia, argumenta que os pelos do cachorro sujariam o carro. Samuel rebate informando que é uma lei federal. Mesmo assim, o motorista se recusa a levá-los. Por nota, a Uber informou que tem uma política para orientar os condutores sobre a lei e que a recusa pode resultar na desativação da conta do motorista. "Nos casos em que usuários sentirem que o tratamento dado pelo parceiro não foi respeitoso, ou que desrespeitou os termos da lei, ressaltamos sempre a importância de reportarem esses incidentes à Uber para que possamos tomar as medidas necessárias" (confira a nota completa no final do texto). Samuel perdeu a visão aos 23 anos. Há sete, ele anda sempre acompanhado do cão-guia Capone. A perda da visão não o impediu de andar de bicicleta, nadar, correr e fazer trilhas, quase sempre acompanhado do cachorro. "Da possibilidade de mobilidade, ele [cão] atua como um guia, como uns olhos, então ele me tira de todos os obstáculos. Não faz sentido se eu cheguei num ponto, peguei um Uber, saí do Uber e não tem ele lá", explicou Samuel. Ele reclamou também sobre a discriminação. "Tu estás ali numa situação de alguém te rejeitando. Não é agradável, é uma coisa que se tu pudesses escolher, tu não escolherias viver aquilo". O que pode acontecer quando há recusa? A advogada especializada em direito do consumidor Maria Alice Lahoz afirmou que a recusa do condutor pode ter resultados. "Possivelmente para o motorista que está cadastrado nessa plataforma, que não respeita as diretrizes da plataforma, uma que muitas vezes já vão obrigar o acesso desse cão-guia, também há possibilidade de descadastramento e outras consequências a serem verificadas no caso concreto", declarou a advogada. Em relação à recusa da semana passada, Samuel ainda estuda se vai entrar na justiça contra o motorista. O desejo dele é que as pessoas tenham mais consciência. "É o básico, cara. É muito ridículo. A gente já tem tanta tantas dificuldades, tantas barreiras sociais para enfrentar e a gente está lutando por um básico, por um deslocamento", lamentou Samuel. Leia também: Com -6,7°C, SC tem amanhecer mais frio do ano; VÍDEO Grupo neonazista que cobrava mensalidade e contava com policiais e advogado é denunciado Jovem tem foto íntima transferida do celular por atendente de loja Cego Samuel filmou recusa de motorista de aplicativo em levá-lo por causa do cão-guia Reprodução/NSC TV O que dizem as empresas de transporte por aplicativo O que diz a Uber (empresa do motorista que se recusou a levar Samuel) A Uber conta com a Política de Cão-Guia para orientar motoristas parceiros sobre a obrigatoriedade de transportar pessoas acompanhadas de cão-guia, conforme previsto pela Lei Federal nº 11.126 de 2005. A recusa pode resultar na desativação da conta do motorista. Visando mais autonomia, no fim de 2025 a empresa lançou o recurso de autoidentificação, que permite aos usuários notificarem automaticamente os motoristas parceiros sobre a presença do cão-guia, além de uma nova experiência de suporte, caso necessário. A Uber fornece diversos materiais informativos a motoristas parceiros sobre como tratar cada usuário com cordialidade e respeito, e conta com um guia de acessibilidade que tem como objetivo apoiar os motoristas parceiros com informações sobre como ter interações positivas e respeitosas com usuários que têm alguma deficiência. Nos casos em que usuários sentirem que o tratamento dado pelo parceiro não foi respeitoso, ou que desrespeitou os termos da lei, ressaltamos sempre a importância de reportarem esses incidentes à Uber para que possamos tomar as medidas necessárias. O que diz a Amobitec (que inclui também 99, Buser e Flixbus) As plataformas associadas à Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) disponibilizam conteúdos educativos e orientações aos motoristas parceiros para que cumpram as leis vigentes em relação ao transporte de pessoas com deficiência. A associação destaca que a ampliação da acessibilidade e da inclusão na mobilidade urbana está alinhada aos valores que orientam a atuação de suas associadas, que investem continuamente em soluções tecnológicas e adotam políticas de não-discriminação. Além disso, as associadas reforçam que não é tolerado nenhum tipo de discriminação contra usuários. Eventuais comportamentos discriminatórios durante as viagens contrariam os termos de uso e, portanto, são passíveis das sanções previstas, podendo chegar ao banimento da conta. Os usuários podem reportar a situação ao suporte do aplicativo, que irá analisar o caso e tomar as medidas cabíveis. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias