Kalil defende diálogo com Legislativo, propõe regionalização da saúde e promete recompor efetivo das forças de segurança
Alexandre Kalil fala sobre postura política em entrevista ao MG1 O candidato do PDT ao governo de Minas, Alexandre Kalil, disse, em entrevista ao MG1 desta ter...
Alexandre Kalil fala sobre postura política em entrevista ao MG1 O candidato do PDT ao governo de Minas, Alexandre Kalil, disse, em entrevista ao MG1 desta terça-feira (15), que terá disposição para dialogar com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em prol dos interesses do estado. Ele também defendeu a regionalização da saúde e a integração entre as áreas de segurança pública e assistência social para o combate à violência contra a mulher. Kalil é o segundo a participar da série de sabatinas do MG1, que seguirá até o próximo sábado (19). A Globo convidou os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Instituto Datafolha em 11 de setembro. Alexandre Kalil (PDT) em entrevista ao MG1 nesta terça-feira (15) TV Globo/ Reprodução Postura política Questionado sobre uma declaração em que disse não ter saudade de trabalhar muito, Alexandre Kalil (PDT) afirmou que tem disposição para governar Minas Gerais e disse que nunca lhe faltou dedicação ao assumir cargos públicos. "Eu tenho muito defeito na minha vida, né? E todos já foram decantados por todos esses anos públicos do Atlético e da prefeitura. Mas uma coisa que eu nunca tive foi preguiça". Kalil afirmou que pretende levar para o governo estadual a mesma dedicação que teve à frente do Atlético e da Prefeitura de Belo Horizonte. "Eu servi ao Atlético, servi à prefeitura e quero servir ao estado de Minas Gerais. Então, só tem uma coisa que eu tenho tranquilidade: eu tenho disposição e coragem para governar Minas Gerais". Ao falar sobre a relação com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o candidato negou ter tido embates institucionais com a Câmara Municipal de Belo Horizonte quando era prefeito. Segundo ele, um eventual governo dependerá do diálogo com os deputados para aprovar projetos e conduzir o orçamento estadual. "Nós temos um estado imenso e precisamos da Assembleia [...]. Eu preciso da Assembleia. Eu não tive embate. Eu aprovei tudo que eu quis no meu governo na prefeitura". Saúde Ao comentar o fato de o número de centros de saúde não ter aumentado durante sua gestão como prefeito de Belo Horizonte, Kalil disse que priorizou a reconstrução e a modernização das unidades. “Não é problema de Belo Horizonte a quantidade de postos de saúde. O que era problema em Belo Horizonte era a qualidade desses postos de saúde", afirmou. O candidato também defendeu a regionalização da rede hospitalar e afirmou que cada região do estado precisa de uma estrutura adequada à sua demanda. Ele disse que os hospitais devem ter perfis definidos para atender casos específicos. "Cada região precisa de um tipo de hospital, né? De alta, média ou baixa complexidade. Tem que ter equipe de saúde para a gente poder fazer: 'Qual é o modelo ideal desse hospital?'", disse. Ao abordar o financiamento da rede hospitalar, o candidato avaliou que o modelo ideal é o tripartite. "O melhor modelo é aquele que a Federação entra com 50%, o Estado com 25%, e o município com 25%. Acho que esse é o modelo ideal, mas é um modelo que tem que ser conversado". Segurança pública e valorização das forças de segurança Questionado sobre a ausência de uma proposta de reajuste salarial imediato para as forças de segurança em seu plano de governo e sobre a condução de uma paralisação da Guarda Municipal de Belo Horizonte em 2019, Kalil negou ter punido os agentes e afirmou que tomou medidas para garantir a segurança da população. Segundo o candidato, a decisão de recolher as armas e aquartelar a corporação ocorreu após a ameaça de greve e teve caráter preventivo. Ele argumentou que não seria adequado permitir que agentes armados participassem de uma paralisação nas ruas da capital. "Não houve punição nenhuma. O que houve foi que eles ameaçaram abandonar a cidade no movimento. [...] Eu disse: 'não tem problema, a Polícia Militar vai ocupar para mim'". Kalil afirmou que a medida foi uma questão de segurança e comparou a situação a movimentos de paralisação realizados por outras forças policiais. Ele também destacou que, durante sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte, promoveu ações de valorização da Guarda Municipal. "Vocês vão fazer greve? Não, vocês vão para dentro do quartel, fiquem lá todo mundo. [...] Agora, eu valorizei e aumentei a Guarda Municipal quando eu era prefeito de Belo Horizonte." Questionado sobre a promessa de recompor o efetivo das forças de segurança, apesar de o número de guardas municipais não ter aumentado durante a sua gestão em Belo Horizonte, Kalil afirmou que realizou concursos públicos. Ele atribuiu a redução a aposentadorias e à saída de agentes para outras carreiras. Conforme o candidato, sua administração ampliou a participação de mulheres na Guarda Municipal e não promoveu desligamentos. Ele defendeu que a recomposição do efetivo é necessária justamente para repor as perdas ocorridas ao longo do tempo. ""O guarda municipal, o sonho dele, não é ser guarda municipal, uma boa parte quer ser Polícia Militar. Então começa aí. Nós não mandamos ninguém embora. É porque tem que ter uma recomposição". Kalil também destacou indicadores de segurança da capital durante seu mandato e citou sua reeleição como sinal de aprovação da gestão pela população. "Nós tivemos o período mais seguro da capital mineira. [...] Eu fui reeleito com 63%". Violência contra a mulher Ao comentar propostas para combater a violência contra a mulher, Kalil defendeu a integração entre as áreas de segurança pública e assistência social. Segundo ele, o enfrentamento ao problema exige ações conjuntas de proteção, acolhimento e investigação. O candidato citou como exemplo medidas adotadas durante sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte, como o funcionamento ininterrupto de serviços voltados à proteção das mulheres. Kalil também criticou a estrutura atual do estado para atendimento às vítimas e afirmou que há poucas delegacias especializadas funcionando 24 horas. "A violência contra a mulher tem que ser transversalizada entre a segurança pública e a parte social do governo. Quando nós transversalizamos isso, nós colocamos assistência junto com essa guarda de mulheres e abrimos por 24 horas a proteção", falou. Kalil afirmou ainda que o combate à violência contra a mulher depende do fortalecimento das forças de segurança e da ampliação do efetivo policial no interior do estado. "Violência contra a mulher, quem resolve é polícia e assistência social. [...] Temos uma delegacia de mulher [24 horas] porque faltam 7,6 mil homens". Educação Ao falar sobre educação, Alexandre Kalil afirmou que pretende ampliar estratégias de busca ativa para trazer de volta aos estudos alunos que abandonaram a escola. Ele também defendeu mudanças no modelo de ensino. A ideia é que parte da jornada dos estudantes seja dedicada a atividades fora da sala de aula, em parceria com universidades e empresas. "Nós queremos tirar o aluno da sala de aula por meio expediente. Nós queremos regionalizar com as universidades e as empresas, fazer os jovens aprendizes", afirmou. O candidato argumentou que as transformações tecnológicas exigem uma revisão das políticas educacionais e defendeu a criação de alternativas para complementar a formação dos estudantes. "Nós vamos fazer a busca ativa que já fizemos, já fizemos em Belo Horizonte, e depois trazer essa essa garotada mais velha para dentro das faculdades que tem em todas as regiões de Minas Gerais, junto com as empresas". Dívida de Minas e servidores públicos Questionado sobre o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), Kalil (PDT) afirmou que, se eleito, pretende tentar renegociar as condições da dívida de Minas com a União. Segundo ele, o prazo de 30 anos para pagamento é insuficiente e o estado precisa buscar alternativas para ampliar sua capacidade de investimento. O candidato defendeu uma revisão dos incentivos fiscais concedidos pelo estado e afirmou que esses recursos poderiam ser usados tanto para investimentos em infraestrutura quanto para melhorar a situação fiscal de Minas. "Nós queremos renegociar. Não é fácil, mas nós temos uma gordura para negociar isso. Nós temos R$ 25 bilhões de isenção para empresas em 2027." Kalil disse que uma eventual renegociação dependerá de articulação com o governo federal, o Congresso Nacional e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Ele argumentou que o peso das parcelas da dívida reduz a capacidade de investimento do estado. "Nós vamos tentar renegociar com a Câmara Federal, com o Senado e com o governo federal. Quando nós estamos pagando juros ou pagando parcelas, deixamos de investir." Ao ser questionado sobre a pressão por reajustes salariais de servidores da educação e da segurança pública, o candidato afirmou que não fará promessas sem conhecer a situação financeira do estado. Segundo ele, eventuais aumentos dependerão da capacidade fiscal do governo. "Eu não vou prometer aumento. Eu não sou cretino. [...] Como é que eu posso prometer no estado que está, na LDO aprovada pela Assembleia, com um rombo já consolidado de R$ 8 bilhões?". Dívidas pessoais Questionado sobre uma dívida tributária relacionada à empresa Erkal Engenharia, da qual foi sócio, Kalil afirmou que isso compromete sua trajetória na vida pública e associou sua situação à realidade de parte da população mineira. "Nós temos 50% dos mineiros devendo. [...] Não tem corrupção, não tem ladroeira, não tem nada disso. Eu devo sim, viu, gente? Igual você deve. Não tem problema não, eu devo, mas eu não tenho vergonha dos meus filhos porque eu devo, não. Eu não tenho vergonha de ninguém porque eu devo, não. Eu sou um cara muito sério", afirmou. Ao ser questionado sobre os dados da Secretaria de Estado de Fazenda que apontam um estoque superior a R$ 92 bilhões em dívidas tributárias de pessoas físicas e jurídicas com Minas Gerais, Kalil disse que possui bens e acordos vinculados ao pagamento de seus débitos e voltou a argumentar que a inadimplência não deve ser confundida com irregularidades ou corrupção. Transporte público metropolitano Questionado sobre os problemas enfrentados pelos usuários do transporte público, como lotação, atrasos, falhas nos veículos e aumento das tarifas, Alexandre Kalil (PDT) afirmou que pretende enfrentar a situação com medidas semelhantes às que adotou quando era prefeito de Belo Horizonte. O candidato destacou que a tarifa de ônibus da capital ficou congelada em R$ 4,50 durante sua gestão e citou exigências feitas às empresas para a renovação da frota, como a instalação de ar-condicionado e suspensão a ar nos veículos. "Eu fiquei quatro anos com a tarifa em R$ 4,50 e obriguei que nós só emplacássemos carro que tivesse suspensão a ar e ar-condicionado." Kalil afirmou que é possível melhorar a qualidade do transporte sem ampliar os subsídios às empresas concessionárias e atribuiu a solução do problema à capacidade de gestão. "É com coragem que nós vamos enfrentar. Falta só coragem para arrumar o que eu fiz em Belo Horizonte sem dar R$ 1 bilhão para empresário de ônibus." Ao ser questionado sobre a integração do transporte metropolitano, o candidato disse que vê a proposta com bons olhos, mas afirmou que a medida depende de estudos técnicos. "Eu acho que sim, mas é um estudo que tem que ser feito." Reportagem em atualização. Os vídeos mais vistos do g1 Minas: